Apenas Começando…

jack
Jack Keruac, um escritor muito organizado.

Na dinâmica da vida moderna, a conjunção entre tempo, sexo e dinheiro é bastante improvável. Aparentemente, nossa relação com tais elementos é a seguinte: quando crianças, temos dinheiro (proveniente de nossos pais) e também temos tempo, mas não temos sexo.  Quando adultos, temos sexo e dinheiro, mas nos falta tempo. E quando idosos, desfrutamos tempo e dinheiro, mas não conseguimos mais usufruir do sexo. Assim vivemos uma vida sempre incompleta, sempre com alguma lacuna.

Não é diferente a vida do escritor iniciante. Há sempre lacunas existenciais e conflitos com os quais ele precisa lidar. E cada progresso realizado exige alguma perda, algum sacrifício.

Tomem como exemplo o meu curioso caso: há cerca de dois anos atrás, eu praticamente não tinha leitores. Contudo, desfrutava de um relacionamento amoroso, de um emprego, tinha um curso universitário para concluir, onde eu era o aluno mais destacado, e tinha também um monte de expectativas familiares sendo depositadas sobre mim. Mas havia uma lacuna, com a qual eu não sabia lidar. Ela foi crescendo e crescendo, até que virou um monstro e acabou devorando minha mente. Com isso, pensamentos suicidas e condutas errantes acabaram dominando meu comportamento. Eu havia perdido meu caminho, havia entrado em um mundo de ilusões e  de desejos que não eram os meus.

Tive que encarar uma boa dose de sofrimento e angústia para me dar conta de que aquilo que eu realmente precisava tinha a ver com Arte, com Livros e com Textos, não com respeitabilidade social, prestígio e dinheiro. Foi em um dia de lágrimas onde tudo a a meu respeito ficou claro, muito claro. Desse dia em diante, não tive mais dúvidas do meu papel no mundo, da minha vocação. Era óbvio. Sempre foi óbvio. E então, de repente, eu me sentia um idiota, e me perguntava “como pude fugir de mim mesmo por tanto tempo?”. Foi quando tomei a decisão: iria me dedicar a melhorar minha escrita e trabalhar com isso, mesmo sem ser ter as exigências burocráticas necessárias. E se o mundo social me fazia mal, era melhor me isolar.

Foi exatamente o que fiz. Um retiro intelectual deliberado. Sem namorada, sem emprego, sem universidade, sem compromisso, sem respeitabilidade, sem prestígio e sem expectativas que não as minhas. O que ganharia? Só o que preciso: solidão, silêncio, introspecção, isolamento, internet, livros e tempo para pensar e escrever.

É nesse mundo que agora habito e é dele que vos ecrevo.

O que aconteceu com o vazio? Foi domesticado, incrivelmente  domesticado. Aprendi que há vazios que podemos suportar e  que há vazios que não podemos: descobri que posso ficar sem sexo, mas não sem silêncio. Que posso ficar sem respeitabilidade e prestígio social, mas não sem introspecção e  bons livros.

E foi depois de me afundar nesse caminho clichê (mas honesto) de escritor anti-social que consegui, vejam só, leitores!

Essa conquista, que me parecia impossível, é agora tão real e mensurável que, além de me impressionar, assusta. Afinal, não posso mais ser leviano e desinteressado. Se alguém vai desperdiçar tempo (o recurso mais valioso) com o que escrevo, então é minha obrigação escrever algo valoroso, útil, relevante.

Sinto que preciso fazer o diferencial e dar ao leitor algo que só eu possa lhe oferecer, uma síntese de estilo, temática e conteúdo original, que reflita minha personalidade  provocativa, meio diabólica e inquieta. E fazer isso… é difícil!

Por ainda ser um iniciante, estou buscando encontrar meu próprio tom, minha própria música. Por isso venho experimentando várias plataformas, temáticas e maneiras de escrever, de provocar reações nos leitores.

Os resultados tem variado. O que ocorre, contudo, é que o fato de imergir nessas outras plataformas me faz deixar este blog parado. E ainda não sei bem o que fazer sobre isso. Talvez eu mude o formato e o deixe para as crônicas mais existencialistas, só com textos, sem imagens. Bem, é uma possibilidade. Mas tenho que pensar.

Seja como for,  quero agradecer a cada seguidor. A cada pessoa que leu o que escrevi por aqui. Agradeço cada curtida, cada minuto no qual vocês dedicaram sua curiosidade a descobrir o que poderia haver nas palavras desse escritor em crise.

Continuarei mantendo atividade literária variada em plataformas diferentes. Estou experimentando e quero ver no que vai dar. Se vocês gostaram do que escrevi por aqui, talvez se interessem em dar uma olhada no que faço em outras plataformas:

Quora: é basicamente uma rede social de perguntas e respostas. Mas essa descrição deixa de fora o essencial. O Quora, a meu ver, é um dos lugares mais intelectualmente excitantes que há na internet em português. Embora a qualidade tenha decaído um pouco, ainda tem muita gente interessante por lá. Engenheiros, Químicos, Autodidatas, Médicos, Professores, Escritores, Estudantes… Não há limites. basta ser curioso e ter o que perguntar ou o que responder. É uma comunidade extremamente interessante. Você pode me encontrar e seguir por lá. Se não se interessar por minhas respostas, há um monte de outros escritores que podem te interessar.

Medium: É uma plataforma para escritores. Meus artigos e análises mais elaboradas vão ser postados por lá. Se você já possui uma conta e quiser me seguir por lá, fique à vontade. Se ainda não conhece, vale experimentar.

SeboPirata: Vocês certamente não sabiam, mas eu vendo livros. É uma coisa bem amadora, na verdade. A renda é baixíssima. As vendas são ocasionais e o mais interessante são as pessoas que conheço no processo. De qualquer forma, pretendo expandir a coisa. De tal modo que acabei fazendo um blog simples, minimalista, para falar sobre os livros e autores que passarem por meu acervo, e também para falar sobre as vendas, o perfil dos leitores, essas coisas.

Facebook: Não recomendo de forma alguma que me adicionem por lá. Faço um personagem totalmente politicamente incorreto, diabólico e provocador. O objetivo básico é incomodar e provocar: Levar à reflexão por meio do absurdo. Vez ou outra sou censurado pelo Zucky. Falo mal de tudo e todos, rico, pobre, judeu, brasileiro, branco, preto, estrangeiro, gay, hétero. Se for humano, leva pedrada.  Tudo com muita sátira, ironia e uma boa dose de loucura com pessimismo trágico. Algumas pessoas (as mais inteligentes) entendem, gostam e se divertem. Outras não entendem, mas se divertem. E outras nem entendem e nem se divertem, mas ficam profundamente ofendidas. Eu aviso: meu facebook é o inferno da mente: é onde todas as depravações do ID se manifestam. É Sade, é Foucault, é Joselito Sem Noção e é Legião da Má Vontade também. Não entrem lá!

Por hora, é isso. Grande abraço a todos.

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